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Carta dos Editores ( Editor’s Letter | Carta del Editor )

A Revista, aqui em sua primeira edição, nasce do desejo de criar um espaço de investigação, de revista, de revisão. Um mural onde podemos associar trabalhos, temas, textos e pessoas – principalmente pessoas – que podem colaborar na discussão de questões sobre o mundo que vivemos. Pessoas e trabalhos que podem nos ajudar a ver melhor, a olhar com menos pressa e a refletir sobre o que vemos. Esse espaço nasce também de uma relação apaixonada mas simples com a fotografia onde iremos mostrar o que gostamos, a fotografia que mexe com a gente.

Na primeira edição resolvemos pensar sobre a cidade. Nossa cidade, principalmente. Fomos juntando trabalhos guardados na memória e que achávamos que ainda não tinham recebido a devida atenção. Para isso convidamos arquitetos, jornalistas e fotógrafos que colaboraram escrevendo os textos para a apresentação dos ensaios. Denis Russo Burgierman, JJ Estrada Toledo, Renata Bessi, Beatriz Nakagawa Matuck e João Pedro Cilli se dispuseram a transpor o texto apegado apenas a imagem que se vê, ampliando assim a discussão proposta pelos fotógrafos.

 

O fotógrafo Anderson Barbosa, em “Vidas sem Teto”, vive e convive com os movimentos por moradia de São Paulo há quase 10 anos, mostrando não só as dificuldades e sofrimento, mas também a luta e a organização política. As pessoas retratadas por Anderson são agentes de transformação, lutam pelo controle de seus próprios destinos e por uma cidade mais habitável e justa.

Tatewaki Nio nos mostra uma cidade organismo, em eterna transformação. Uma cidade que substitui por necessidades comerciais e onde as marcas do que foi e do que será se encontram nas paredes, nas máquinas e nos muros dos terrenos de obra tão comuns em São Paulo.

André Hauck não está em São Paulo, mas os espaços que fotografa nas periferias de Belo Horizonte poderiam estar. Não lugares, espaços de abandono onde os males das cidades que crescem de forma desordenada se repetem, sintomas de uma mesma forma de pensar o espaço que habitamos. André, Anderson e Nio, apresentam pedaços de uma mesma história.

Da Guatemala recebemos um presente, um trabalho ainda no forno! Ferit Kuyas acaba de realizar sua primeira viagem pela cidade da Guatemala, a primeira de uma série que deverá realizar para o trabalho intitulado Aurora. A Guatemala cresce e enriquece cercada por desigualdade e violência, além da memória não tão distante de um genocídio que por muito tempo se tentou esconder na vala rasa.

Armando Prado apresenta uma cidade fantasia, fantasia criada pela lente, por suas escolhas, por seu flash. Fantasia aos olhos de quem vive em São Paulo hoje, onde está essa cidade? – “Olha é a esquina da Paulista com a Consolação!”.  -“Esse cinema não existe mais”.  Cor, muita cor, mas São Paulo não é a cidade cinza? Fotografia é sempre ficção, é sempre guiada pelas vontades, crenças, anseios do “operador”, de quem controla a máquina. Que bom! Mas olha ela aqui, essa mesma fotografia ensinando a gente olhar e pensar o espaço que a gente habita. Que cidade queremos construir? Em que cidade queremos viver?

Agradecemos o seu interesse na A Revista, divirta-se.

Lua e Felipe