Jim Golberg, o Mar Aberto e uma bolsa Alemã.
Ontem recebemos com muita satisfação a notícia de que a Deutsche Borse Photography Prize 2011 foi para Jim Goldberg por seu trabalho, livro e exposição Open See. Golberg recebeu de um jurado composto por Marloes Krilnem (Fundadora e Diretora do Foam_Fotografiemuseum Amsterdam), Joel Sternfeld e Alex Farquharson (Nottingham Contemporary) um prêmio no valor de 30.000 libras.
Dinheiro muito bem empregado! Golberg em sua série Open See investiga de forma sensível a imigração. Da origem ao destino, o fotógrafo leva ao limite o documentarismo e a capacidade de representação da fotografia para tentar acessar as motivações, inquietações e infortúnios que levam milhares de pessoas a abandonarem suas vidas e famílias em busca de melhores condições. Golberg apresenta, também, os mecanismos e a indústria que se aproveita da eterna esperança e do instinto de sobrevivência dessas pessoas.
Open See, publicado em livro pela Steidl, é resultado de 5 anos de viagens por países como a Grécia (um dos principais portos de entrada na Europa), Índia, Ucrânia, Bangladesh, Congo, Senegal e Libéria. Não tivemos a chance de ver a exposição, mas temos em casa o livro e ontem voltamos a ele. Esta publicação é simples como objeto – sem sofisticação – e complexo em seu conteúdo. Dividido em 4 capítulos (livretos independentes) o livro nos leva por uma viagem que começa na Ucrânia (livro 1), passa pela Índia e Bangladesh (livro 2), depois estamos na África (livro 3) até que reencontramos os traços, as roupas e os costumes desses países agora na Europa, através da história de migrantes que completaram sua jornada.
Os 3 primeiros livros não possuem texto e a afirmação que fiz acima sobre a divisão desses capítulos por região do globo é fruto de uma memória iconográfica que me faz afirmar “aqui é índia”, “aqui só pode ser África”. Golberg nos obriga a tomar decisões o tempo todo, esfrega na nossa cara que estamos especulando, que pensamos saber do que se trata, que imaginamos até pensar poder acessar o sofrimento contido em Open See.
O livro, porém, apresenta fragmentos, retalhos. Jim Golberg lança mão de técnicas tão distintas quanto fotografia em grande formato, recortes bruscos de fotografia 35mm, polaróides e imagens presenteadas por seus personagens. Fica evidente o nível de colaboração entre fotógrafo e fotografado, as polaróides são repletas de intervenções – feitas pelos próprios personagens e pelo fotógrafo – algumas contam histórias de abuso, de sofrimento; outras de esperança, mas aqui, mais uma vez, nossa incapacidade de compartilhar dessas histórias é evidenciada pela língua, pela falta de compreensão de uma caligrafia muitas vezes indecifrável.
Os 3 primeiros livros não possuem texto, apenas no quarto volume somos confrontados pelos relatos de Beuty, Mohammed e Amara. Os relatos são guardados para o final, aliviando um pouco o sofrimento causado pela fragmentação narrativa da edição de imagens, mas intensificando ainda mais o nó na garganta e a tristeza depois de uma experiência profunda sobre questões referentes a Globalização, racismo, integração e perseguição cultural.
Open See é um manifesto poderoso e Goldberg mais do que um fotógrafo é um grande editor! Sarkozy e Berlusconi bem que podiam conhecê-lo.

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Categorias: Blog, fotógrafos, livros
Tags: Deutsche Borse Photography Prize 2011, Imigação, Jim Golberg, Open See





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